Nada nos tira do sério ou potencia o nosso lado animalesco e protetor como uma investida contra os nossos filhos. Este espetáculo constitui uma oportunidade para explorar vários registos de comédia negra onde o sarcasmo, a ironia e o cinismo, são instrumentos a que o texto recorre e que os atores naturalmente integram no jogo e que, no combate que se adivinha, provocam risos. Alguns são risos nervosos, descontrolado por vezes, como quem assiste a um funeral e se ri perante uma situação trágica, mas que aos nossos olhos resulta, involuntariamente, caricata, ridícula até. Quando olhamos ao espelho, por vezes, o nosso reflexo é adulterado pelo nosso cérebro, de modo a que a perceção dos nossos receios mais profundos, seja suavizada, como que nos preparando para uma realidade não desejada. “O Deus da Carnificina” tem esse mesmo efeito em nós. No fundo desejamos não ser nenhuma das personagens aqui retratadas, mas não nos conseguimos impedir de identificar determinados comportamentos, que embora condenemos nos são demasiadamente familiares.
Autoria
Yasmina Reza
Tradução e Encenação
Diogo Infante
Com
Diogo Infante
Jorge Mourato
Patrícia Tavares
Rita Salema
Cenografia e Adereços
Catarina Amaro
Desenho de Luz
Tânia Neto
Espaço Sonoro
Rui Rebelo
Assistência de Encenação
Isabel Rosa
Fotografia
Carlos Ramos
Direcção de Produção
Ana Rangel
Miguel Dias
Coprodução
Teatro da Trindade INATEL Plano 6