Estrutura e caos, silêncio e ruído, guerra e paz. Gabriel Neves (Saxofone Tenor), João Martins (Bateria e Percussão) e Jorge Loura (Guitarra Barítono) imaginaram como seria se Frank Zappa, Wayne Shorter, Richard Wagner e Egberto Gismonti se encontrassem num concerto dos Tool e formassem um trio. Desta impossibilidade matemática nasceu Troll’s Toy.
O trio trabalha composições originais que carregam sobre elas vapores de reações químicas imprevisíveis, que ora resultam em novos materiais alcalinos, ora em soluções ácidas, orientando os relatórios destas experiências para um muito pouco contido e nada balizado jazz eléctrico de fusão, revelando uma amplitude estética invulgar. O trabalho de bateria e percussão é intenso, dramático e inventivo, catalisando todas as reações em cadeia; o saxofone explora registos tão amplos que chega a parecer criar um diálogos de sopros distintos, quando, de facto, estamos na presença de um monólogo; e a guitarra travestida de baixo é precisa e omnipresente, suportando também nos silêncios e com mestria todos os outros decibéis deste laboratório de sons.
Em resumo, explosão e contenção: é também por este motivo que as previsões meteorológicas possuem erros. Ainda bem – nesta não linearidade, a resposta não é necessariamente proporcional à intensidade do distúrbio: "estrutura e caos, silêncio e ruído, guerra e paz", lembram-se?